"Ele sabe o que assusta vocês!"

“Antes era o escuro que metia medo; agora passa a ser a luz...” De uma dimensão para além dos vivos, um terror que aniquila.
Da tela sem vida da televisão vem o horror que nos arrebata...POLTERGEIST, É a destruição apossando-se de uma criança inocente.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Poltergeist e Psicopatologia

Adolescência e a importância da idade

Já Camille Flammarion assinalava a respeito de uma casa "mal-assombrada" por um garoto de 12 anos; "Neste, como na maior parte dos casos análogos, a causa desconhecida produtora dos fenômenos está associada a um organismo moço".

Um dos fundadores da SPR, Frank Podmore, que inicialmente fora espírita e depois, com o estudo, passou a rejeitar tal interpretação, esforçou-se por apresentar em cada caso a explicação natural. Concretamente com referência aos fenômenos parafísicos, analisou cuidadosamente todas as centenas de casos de "poltergeist" recolhidos pela Sociedade nos primeiros 14 anos de fundação. Comprovou que todos os casos estavam relacionados com adolescentes, principalmente do sexo feminino. A tese de Podmore passou a ser conhecida humorística, ou um tanto sarcasticamente, como a "teoria da mocinha malcriada" ("naughty little girl theory").
Schrenck-Notzing corrobora a conclusão com os casos de sua pequena coleção, independentemente dos pesquisadores da SPR:

- "No caso bem documentado e estabelecido por vias judiciais, o da casa mal-assombrada de Ylojarvi, uma empregada de 13 anos, Emma Lindroos, estava estreitamente relacionada com todas as manifestações. No mesmo instante em que ela abandonou a casa, cessaram repentinamente as telecinesias, aportes e ações maldosas.

- "Também na casa mal-assombrada de Dietersheim os fenômenos estavam ligados com a filha, de 9 anos, de uma empregada.

- "Johanna P., causante de processos parapsicológicos que a acompanharam de karnten a Braunau e Londres, no começo da assombração, 14 anos. No ano seguinte suas manifestações começaram a debilitar-se, até desaparece completamente. É provável que isto fosse pelo maior desenvolvimento tanto físico como psíquico, e também pelo desenvolvimento mais livre da vida sexual.

- "Eleonore Zugun, mocinha camponesa romena, tinha 14 anos quando (...) se constituiu em objeto de estudo (...) (é muito famosa em parapsicologia). Com sua menarquia (primeira menstruação) tardia, aos 15 anos, cessaram suas faculdades (...)

- "Repetiu-se o mesmo no caso de Anna Gronauer, de 15 anos, filha de um mineiro em Peissenberg - Alta Baviera. Com sua menarquia, relativamente tardia, acabaram os fenômenos (...)

- "Vilma Molnar, de 14 anos, era uma moça camponesa de Bergeland, levada em 1926 ao Castel de Schonau e a Viena para a observação dos fenômenos.

- "Therese Winklhofer é considerada agente de assombração na casa da Augustenstrasse de Munique. Essa histérica de 17 anos 'funcionava' somente na presença do estudante Ludwig..

Não há a mínima lógica em atribuir aos espíritos dos mortos ou aos demônios etc., tal preferência por adolescentes problemáticos.

Mas ninguém ignora que essa idade pode acarretar, principalmente para ao sexo feminino, problemas, tensões, agressividade... E conseqüentemente "poletrgeist"!Também o metapsíquico Hereward Carrington, com a colaboração de Nandor Fodor, recolheu 375 casos de "poltergeist" que ele considerou os mais famosos na história da pesquisa desde o "poltergeist" de Bingen-am-Rheim, no ano de 355 (aportes de pedras, telecinesias inclusive desmantelando uma casa, tiptologia e psicofonias) até 1949 (dois anos antes da publicação do livro - embora Carrington tenha vivido até 1959 -). Submeteu-os a criteriosa crítica, e considerou fraudulentos 26 casos, e 29 duvidosos. Mesmo que todos estes casos duvidosos fossem fraudulentos, ficam 330 casos que Carrington considera irrefutavelmente autênticos. Para somar sua autoridade, transcrevo as palavras com que Frank Smyth formula uma das conclusões do livro de Carrington e Fodor:

"Característica de quase todos os 'poltergeist' é sua preferência por (...) adolescentes, acreditando-se que o início da puberdade pode ser um fator desencadeante deste tipo de perturbações".

O prestigioso parapsicólogo alemão. Dr. Hans Bender, diretor do Instituto de Parapsicologia da Universidade de Friburgo na Brisgóvia, em nome de toda a parapsicologia moderna, pode garantir com certeza:
Antes de tudo se constata geralmente que estes fenômenos dependem de pessoas jovens, na idade da puberdade".

As autoridades citadas deve-se incluir o inglês Dr. Owen, da Universidade de Cambridge, que publicou um livro imprescindível no estudo dos "poltergeist". Owen analisou todos os casos recolhidos pelos pesquisadores da SPR, além dos numerosos casos colecionados por ele mesmo em amplo inquérito, e ainda muito casos de outros pesquisadores. De tão rica casuística, pode-se deduzir com segurança que se trata de força exteriorizada e dirigida com manifesta freqüência por uma adolescente e, num segundo lugar bem distanciado, por meninos na mesma idade crítica, sendo que os casos decorrentes de outras categorias de pessoas podem-se considerar pura exceção.

Com relação à sexualidade, é muito freqüente nas observações de "poltergeist" que se faça constar que a responsável é geralmente uma jovenzinha sexualmente reprimida. Outros falam também em senhoras na menopausa e sexualmente marginalizadas. Inclusive alguns elucubraram com a nascente sexualidade e os hormônios de meninas retardadas no aparecimento da puberdade e adolescência: não desabrochando no desenvolvimento corporal e psicológico, estourariam pelos fenômenos parafísicos.

Aporte moderno

O Dr. Cuenot, laureado da Academia de Medicina, relata para a Revista do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris os aportes sofridos durante quatro meses (de meados de março até começo de setembro de 1963), na Clínica Ortopédica de sua propriedade, em Arcachon. O prestigioso parapsicólogo Robert Tocquet foi lá verificar e garante também os fatos.

Os doentes hospitalizados foram atormentados durante todo esse período com telecinesias e aportes de até trezentas pedras de diversos tamanhos. Várias testemunhas afirmaram ter visto cair entre 10 e 20 pedras ao seu redor. Uma testemunha contou 17 aportes em cinco minutos. Ás vezes eram pedrinhas muito pequenas, em algumas ocasiões alcançavam tamanho de meio tijolo. A trajetória e a velocidade dos disparos também foram muito diversos.

Não se sabia de onde caíam as pedras, pareciam claramente lançadas do alto. Freqüentemente caíam vertical, atravessando a folhagem das árvores. Várias testemunhas declararam que as pedras entraram (aporte) no banheiro, fechado. O Sr. T. André, agente de polícia parisiense, viu sair uma janela uma pedra de uns 250g. Verificou imediatamente que o quarto estava vazio e, como todos outros cômodos desocupados, fechado a chave. Outra noite, quatro hóspedes da clínica estavam no terraço quando recomeçaram os lançamentos das pedras, visivelmente procedendo do quarto andar do prédio. Subiram correndo. Estavam todos os quartos fechados a chave. Desceram de novo e de novo caiu uma chuva de pedras, agora procedente do segundo andar, que também estava (a porta geral do andar assim como de todas as dependências) fechado a chave.

Em uma tarde em que fazia muito bom tempo, reuniram-se todos os hóspedes, assim como todo o pessoal da clínica, no terraço. Não faltou ninguém à reunião. "Jamais foi lançada tal quantidade de pedras. Isso levou ao convencimento geral de que não se podia suspeitar de nenhum paciente, nem mesmo do pessoal". Além do mais, que hábil prestidigitador teria lançado pedras dentro do banheiro, como testemunharam alguns hóspedes?

Regras do além?


Os aportes produziam-se a qualquer hora, mas principalmente no crepúsculo.
Como se os espíritos dos mortos fossem afetados pelo peso do dia e a proximidade da noite. A influência, porém, do cansaço foi observado entre os doentes nas enfermarias, clínicas e hospitais de todo o mundo.

As pedras constituíam uma ameaça, manifestamente expressavam revolta, mas como sempre "jamais foi ferido nenhum doente, e só dois deles, foram tocados muito ligeiramente". Palavras textuais do Dr. Cuenot.

Com respeito aos "ataques satânicos" (ou de "espíritos pouco desenvolvidos" segundo os Kardecistas!), Görres já observava que paradoxalmente as pedras não atingem as pessoas (só o próprio doente).

O mesmo paradoxo aparece nos clássicos "endemoninhados" (?) do cemitério de São Medardo.

Ora, a conhecida lei da física, "forças do mesmo sinal se repelem, tem analogia na parapsicologia, aplicada à telergia que conduz os objetos. Na interpretação espírita, porém, um "perispírito" rejeita outro "perispírito"? Isso prova que o "perispírito de um defunto não age sobre o "perispírito" de um vivo...

Destaca o Dr. Cuenot: "A única condição suficiente para que se desencadeasse o fenômeno era a presença, por perto, de Jacqueline R., de 17 anos". O Dr. Cuenot submeteu Jacqueline a um interrogatório psicológico. Conclui assim que a adolescente estava desenganada da vida, não gostava de namoro, não queria ter filhos, ria e sentia-se consolada quando presenciava enterros, chorava desiludida quando assistia a qualquer casamento... só gostava de chamar à atenção e de que se ocupassem dela. Por que tudo isso? Até 11 anos fora uma menina psicologicamente normal. O desespero, a revolta, o ódio surgiram com a primeira menstruação, fenômeno que a traumatizou e de que jamais falara com ninguém. Com a descarga pelas confidências dela e pela explicações do médico, Jacqueline R. se acalmou e os fenômenos cessaram.

"Regras" dos espíritos dos mortos?
O psiquiatra A. Assailly deduz das coleções de casos de poltergeist que nos poucos casos que não se deve ao início da sexualidade, costuma ver no ambiente senhoras no climatério.

Ou será a menopausa dos "desencarnados"?

Inferioridade

"Coisas de crianças"


Os "poltergeist" ou "casas mal-assombradas", com seus fenômenos físicos de todo tipo, estão quase sempre ligados à adolescência; e sempre a pessoas problemáticas, reprimidas. Às vezes, estão ligados a pessoas mentalmente retardadas. Por isso geralmente nas casas mal-assombradas aparece claramente essa psicologia infantil, retardada ou problemática.

Foi precisamente a constatação dessa realidade uma das principais causas pelas que Flammarion abandonou as interpretações espíritas. Escreve:
É fácil compreender a grande importância teórica desses fatos (...), a primeira impressão que nos causam esses fenômenos é a de sua banalidade e vulgaridade (...) Exercícios bem singulares! Forças inteligentes em ação, mas inteligências bem medíocres (...) Esses exercícios físicos, extravagantes e incompreensíveis, são sempre idênticos em toda parte (...) O que mais nos impressiona, nesses eventos, é as vezes (...) Podemos afirmar a realidade dos fatos, e confessamos que eles são absurdos, idiotas, inexpressivos, assemelhando-se a traquinadas de garotos astuciosos (...) Sapatos que saltam e mudam de posição? Deslocamento de móveis? Pancadas? Não mais que vulgaridade".

** Os responsáveis pelos fenômenos de efeitos físicos costumam estar presos à vida instintiva desordenada e não se deixam guiar pela razão e pelos critérios superiores. Às vezes estão presos a fortes paixões, a depressões profundas.

Detalhes muito significativos

O caso de "poltergeist" que mais impressionou o Dr. Owen, foi de Sauchie (Escócia). Não que apresentasse fenômenos especiais ou em maior intensidade. Atrever-me-ia a dizer inclusive que estava abaixo da média. Mas foi o único a que Owen teve acesso "direto" através de uma gravação magnetofônica! (Se viesse ao Brasil...! Ao CLAP quase diariamente chegam pedidos de ajuda).

Foi em meados de dezembro de 1960 que o Dr. Owen viajou a Sauchie para recolher informações sobre os fenômenos que começaram em 22 de novembro e que praticamente terminaram em 1º de dezembro. A BBC difundira o caso, tendo seus repórteres constatado pessoalmente alguns fenômenos. Entre numerosas testemunhas, devem-se destacar os médicos Drs. W. H. Nisbet e William Logan e sua esposa Sheila, médica conceituada.

Tudo começou por uma tiptologia forte, um "barulho fragoroso" provindo do quarto onde Vírginia Campbell, de 11 anos, com sua prima, se dispunha a dormir. Os outros primos (maiores de idade) e os tios verificaram - verificaram-no depois freqüentemente - que tudo se tranqüilizou quando Virgínia, por fim, relaxou e caiu no sono. No dia seguinte viram uma mesinha levantar-se no ar quase dois decímetros durante uns segundos, perto de Virgínia, sem que ela a tocasse.

O pároco anglicano de Sauchie, Rev. T. W. Lund, foi chamado pela família à meia-noite, e constatou também as violentas tiptologias nas paredes, nos móveis etc., sem que deixassem marcas. Um baú certas noites abria e fechava sozinho, deslocava-se no ar, disparava. O Reverendo viu os movimentos e pequenos vôos a meio metro de altura realizados pelo baú cheio de roupa. Na noite seguinte, o Reverendo Lund e mais dois pastores - que trouxera consigo - benziam a casa... As tiptologías acompanharam os serviços e foram aumentando gradativamente de intensidade até se tornarem realmente violentas.

Na escola primária, professora e alunos viram que a tampa da escrivaninha abria e fechava sozinha várias vezes. Quando a professora se aproximou, levantou-se no ar, inteira, uma escrivaninha que o aluno vizinho, apavorado, deixara momentaneamente desocupada. Outro dia, a pesada mesa da professora deslizou quando Virgínia estendia os braços naquela direção. Depois, uma varinha, que a professora tinha sobre a mesa, começou a vibrar e foi deslizando até chegar ao extremo da mesa e cair; então a própria mesa começou a vibrar e a girar.

As tiptologias - o fenômeno mais freqüente neste caso - numa tarde foram tão fortes que inclusive os vizinhos ouviram. Foram precisamente esses estrondos, gravados pela BBC, que impressionaram o Dr. Owen.

Observaram-se também outras telecinesias: travesseiros girando 90 graus e ondulando ao longo da sua superfície como se alguém fosse correndo a mão em pressão sobre eles.
Praticamente a isso se reduzem os fenômenos do "poltergeist" de Sauchie. Mas é muito interessante para nós agora pelos abundantes detalhes psicológicos e patógenos que muito acertadamente o Dr. Owen soube recolher:

1. Até esse ano, a vida de Virgínia, caçula de pais idosos, fora excessivamente isolada: vivera no campo, na Irlanda. Os pais passaram a ficar o dia todo e todos os dias trabalhando. Os irmãos, adultos, em outra cidade. Ela, sem mais companhia que o cachorrinho Toby, ao qual se agarrava com exagerado carinho; e eventualmente uma amiguinha da sua idade, Ana, a quem também se afeiçoou profundamente. Nos seus transes ("estados alterados de consciência": perda de consciência e afloramento do inconsciente) no período de "poltergeist", como também em falas durante os sonhos, Virgínia não chamava pelos pais, parentes, professores ou médico, não apelava aos sentimentos religiosos: reclamava desesperadamente por Ana e especialmente por seu cachorrinho Toby.

2. No começo de 1960, Virgínia, com a mãe - o pai ficou na Irlanda por problemas de trabalho -, viajou à Escócia para morar na casa de uns tios e primos. Ao ser matriculada na escola primária, o diretor fez constar a estranha impressão que lhe causara: Virgínia, como também a mãe, "davam a impressão de pessoas que tivessem vivido sempre num lugar longínquo e isolado, a realidade transformando-se para elas numa mistura dos seus contornos imediatos e das ilimitadas fantasias do seu pensamento". Virgínia era muito tímida e sua professora encontrou dificuldades, no começo, para se comunicar com ela. Virgínia enfrentou obstáculos para se comunicar com os colegas, também por causa da diferença de dialeto.

3. O diretor da escola fez constar também que Virgínia nos testes de inteligência demonstrou ser claramente superdotada - Q.I 111, apesar da evidente inibição -, como também demonstrou superioridade à média nos testes de destreza manual, docilidade etc.

4. A mãe - continua o diretor da escola - "não deu mais informações do que as estritamente solicitadas, sua voz parecia sair, a contragosto, de um rosto firme como uma máscara". Mulher seca, fria, dura...

5. Virgínia tinha 11 anos. "É muito alta para sua idade (...) Atualmente está atravessando um período de rapidíssimo desenvolvimento físico e maturação. A puberdade, no seu sentido concreto (menstruação) não se apresentou ainda, mas ela está caminhando rapidissimamente para isso".

6. Durante os transes "demonstrava ausência das normais inibições, como se seus pensamentos (ou instinto sexual) reprimidos (pela severíssima educação materna) estivessem emergindo (...). Registra-se notável quantidade de garrulices histéricas de Virgínia, nas quais aparecia a mesma falta de inibição que caracterizava seu transe".

7. "No período do poltergeist, ela apresentava claríssimos sintomas de distúrbios mentais e emotivos" até então latentes e depois de novo contornados.

8. Algum tempo depois de acalmada a situação - em meados de janeiro de 1961 - "Virgínia aceitou tranqüilamente" o fato de ela ter passado por aqueles fenômenos de poltergeist, inclusive tirou deles um certo senso de orgulho, batizando-os como 'Wee Hughie'" (o pequeno Huguinho).

Pais idosos, solidão desabrochando rapidamente na sexualidade, educação severamente repressiva, tímida e "caipira", repentinamente Virgínia, superdotada, tem de enfrentar a cidade e a escola em pais diferente. Nestas circunstâncias alguém poderá duvidar de que tem lógica, embora patológica, que Virgínia sinta saudades do cachorrinho e da amiguinha perdidos, estoure em "poltergeist" e depois se vanglorie da popularidade compensadora assim alcançada? Alguém poderia duvidar de que a telergia é dirigida inconscientemente pela própria Virgínia? Alguém poderia não ver o absurdo que seria atribuir este caso aos espíritos dos mortos, demônios, ou...?

Betsy Bell, um drama clássico


Muitos livros de parapsicologia estudam este caso. Richard William Bell tinha seis anos na época em que começaram os problemas em sua família e muitos anos depois escreveria um livro, "Our Family Trouble", logicamente com várias e evidentes distorções em suas lembranças. O núcleo, porém, é muito claro.

John Bell, com sua esposa Luce e seus nove filhos, vivia numa grande fazenda no Condado de Robertson, no estado de Tennesse, EUA. Betsy tinha doze anos quando começou o poltergeist, e 16 quando terminou em tragédia com a morte do fazendeiro. Inicialmente se tratava de tiptologias tipo arranhadelas, que logo se converteram em pancadas cada vez mais fortes e "inexplicáveis". Com o passar do tempo começaram as telecinesias tipo cadeiras e louças pelo chão de toda a casa, e aportes em forma de chuva de pedras e paus.

Os dois escritores Bell destacavam nos seus livros que os fenômenos giravam com destacada e indiscutível preferência ao redor de Betsy...

Quando os fenômenos começaram a ser agressivos, o casal compreendeu que não poderia continuar mantendo o problema em segredo, e que precisava de ajuda. Poderia ser meramente uma espécie de pesadelo quando os pequenos Richard William e Joel acordaram aos prantos e gritos dizendo que alguém lhes puxara os cabelos, mas Elisabeth (Betsy) certamente se sentiu atormentada por várias horas durante aquela noite.

Acudiram então ao pároco, pastor James Johnson, que logo atribuiu os fenômenos aos demônios, apesar de as psicofonias serem muito piedosas, pois repetiam os sermões do próprio Johnson e de outro pastor seu colega! O pastor recitou sobre a família os macabros exorcismos.

O efeito da sugestão foi aparentemente benéfico só por pouco tempo, porque a tensão se acumulou e estourou precisamente pela macabra sugestão demonológica: logo as psicofonias, em vez de sermões, repetiam grandes blasfêmias; e Betsy explodiu em violenta auto-sugestão. Dizia receber violentos tabefes. Ninguém via a mão agressora, mas todos viam aparecer imediatamente marcas vermelhas no seu rosto (dermografia). E viam os violentos e contínuos puxões de cabelos que faziam-na rolar pelo chão em contorção de dor. Betsy entrava em transes ou desmaios que duravam até meia hora. Acordava em meio a psicofonias tipo assobios estridentes e vozes ininteligíveis.

Após o fracasso dos exorcismos, passaram a atribuir os fenômenos ao espírito de uma bruxa falecida. O pastor Johnson primeiro, depois numerosos vizinhos, vieram fazer consulta à bruxa, e obtinham respostas por meio das tiptologias nas paredes, e de psicofonias rudimentares, sons como de estalidos com a língua. Um médico, para certificar-se de que as psicofonias não eram hábeis truques de ventriloquia, tampava a boca de Betsy com as mãos. As psicofonias continuavam.

Análise psicopatológica


Neste caso pioneiro (1817 a 1821) e famoso, os pesquisadores modernos logo, é claro, garantem que não eram demônios nem o espírito da bruxa, senão, como sempre, o inconsciente de Betsy, quem dirigia a sua própria telergia.

Muitas das psicofonias expressavam os sentimentos de Betsy:
Com referência ao pai, as psicofonias - e outros fenômenos - manifestavam um ódio feroz, prometiam atormentá-lo o mais possível e por todo o resto da sua vida. Havia motivo...
À mãe mostravam todo o carinho que a própria Betsy sempre manifestava.

Com respeito aos irmãos Joel, Richard e Drewry manifestavam essa ambivalência freqüente entre os irmãos: as psicofonias os insultavam, ameaçavam, e voavam pedras e paus vindos "do nada", mas nunca lhes causaram ferimento (o leitor, lembrará que a telergia de uma pessoa não pode agir sobre outras pessoas, a não ser de raspão ou de ricochete). Os outros irmãos, dada a diferença de idade, pouco se relacionavam com Betsy, e os fenômenos praticamente os ignoravam. Simples relacionamento, também sem emotividade, com os vizinhos.

Com referência a si mesma, Betsy mostrava a divisão da sua personalidade. Refiro-me agora ao rompimento com o noivo. Sob o véu de ameaças, na realidade se defendia a si mesma.

Quando Betsy tinha entre 13 e 14 anos, namorava um vizinho, Joshua Gardner. As vozes constantemente sussurravam: "Por favor, Betsy Bell, não aceite Joshua", "suplico-lhe, não se case com Joshua"..., e choviam ameaças de uma vida de tormentos se não atendesse os conselhos das psicofonias. Assim todos aceitaram o rompimento.

Para o fazendeiro, os fenômenos e as ameaças psicofônicas da filha terminaram tragicamente:

A angústia, a superstição, o medo, os remorsos - tinha motivos para isso! - arruinaram sua saúde, que quatro anos antes parecia inquebrantável. Sentia fortes cãimbras nos maxilares, a boca intumescida, a língua se inchou de tal modo que no fim não podia nem ingerir alimentos nem falar. Os tiques nervosos começaram ao redor da boca, estendendo-se depois a todo o corpo. Tinha transes e convulsões que duravam até quinze dias. Por vários meses foi vítima de delírio, obrigado a permanecer de cama. Num dia do outono de 1820, John Bell reagiu contra a prostração, levantou-se da cama e saiu a inspecionar a fazenda. Subitamente cambaleou, caiu prostrado, e os filhos viram espantados como "o rosto se contorcia de um modo horroroso", enquanto seus sapatos saíam dos pés e voavam longe, para repetir a mesma operação sempre que um dos filhos tentava calçá-lo. A cena era acompanhada por psicofonias "em zombaría de nós" e "gritos demoníacos". O pai teve de ficar de cama de novo. Um mês mais tarde, em 19 de dezembro, foi encontrado em profundo sopor, do qual morreu. Ao lado, o vidro onde o remédio receitado pelo médico fora substituído por "uma beberagem escura". O médico fez com que o gato engolisse a beberagem, e o animal morreu em poucos minutos.

Suicídio? Pouco provável, dada a invalidez do fazendeiro. Poderia ser um assassinato inculpável e inconsciente numa das freqüentes trocas de personalidade de Betsy, que assim plasmou e levou até as últimas conseqüências seu ódio ao pai.

Quando o médico chegou para lavrar o atestado de óbito, o inconsciente de Betsy - secundus, "a bruxa" - disse pela psicofonia:

"Não perca tempo com o velho, desta vez agarrei-o bem, não mais levantará". No dia seguinte, quando o cadáver do fazendeiro descia à sepultura, a psicofonia permitiu-se o acidente de entoar uma canção de bêbados...

Tudo indica que o agudo sentimento de culpa de John Bell e o ódio que a filha sentia tinham desencadeado a cisão da personalidade de Betsy e de seu pai.

Betsy era sexualmente precoce. Seu ambiente familiar era extremamente fechado de critérios. O pai, hipocritamente puritano.

Muito acertadamente o psicanalista Nando Fodor chama a atenção para a coincidência do início de "poltergeist" com o despertar sexual de Betsy e as primeiras manifestações do complexo de culpa do pai. Fodor, no seu livro, The Story of the Poltergeist, acena para a possibilidade de John ter violentado a própria filha. O incesto naquela época e naquelas fazendas não era tão raro.

A psicologia também explica que a Segunda Personalidade de Betsy, ao mesmo tempo em que se revolta contra o pai, também esbofeteia a si mesma na personalidade oficial, pelo duplo motivo de repreensão moralista de má filha e autodesprezo pela experiência brutal sofrida. Também por esta experiência traumática rejeitou o namorado.

Descarregada a tensão nervosa com a morte do pai, e aliviada com a separação do namorado, Betsy não precisou mais de emissões telérgicas, e os fenômenos cessaram.
Nem demônios nem espírito da bruxa. Basta uma simples análise dos fatos para perceber que quem dirige a telergia é o inconsciente problemático dos vivos.

Fonte: Centro Latino americano de parapsicologia (www.clap.org.br)

sábado, 4 de agosto de 2012

Explicando o fenômeno


O Que é um Poltergeist?

Não poderia falar sobre o filme sem falar também sobre o fenômeno. POLTERGEIST, pronuncia-se poltergaist, é um fenômeno sobrenatural cujo nome de origem alemã significa espírito que causa ruídos (do alemão polter, que significa ruído, e geist, que significa espírito). Envolvem situações físicas como chuvas de pedras, movimentação de objetos, aparecimento e desaparecimento de objetos, aparecimento de sons, água e luzes.

Desde o século XVII se investiga tais fenômenos. Acreditava-se que os poltergeists eram feitos de bruxaria ou possessão diabólica. Já no século XIX, quando tais crenças declinaram, acreditavam que tais fatos eram provocados com atos bem pensados e trabalhados ou que eram obras de espíritos desencarnados.



















Capa da revista francesa  La Vie Mysterieuse , sobre o caso Therese Selles (1911).

Hoje, os parapsicólogos acreditam que tais fatos acontecem por pessoas vivas com grande faculdade psicogenética que se exaltaria por causa de traumas emocionais e usaria suas forças em objetos. Normalmente, o epicentro ou a pessoa que provoca o fenômeno é adolescente de maioria do sexo feminino que vive em atrito com outra pessoa onde passa por períodos de instabilidade emocional. Geralmente, o poltergeist tem duração limitada e gera dificuldade de apontar o epicentro.
Tais indivíduos, denominados epicentro, seriam dotados de excepcional faculdade psicogenética. Em certas ocasiões, essa faculdade se exaltaria em virtude de algum trauma emocional e extravasaria suas energias em forma de ação física sobre os objetos de suas adjacências.

Diferencia-se de assombrações pelo fato de o poltergeist ocorrer quando o epicentro está com outras pessoas com o objetivo de perturbar onde permanece por minutos podendo chegar a alguns anos. A assombração, em contra partida, ocorre em casas, prédios de forma automática sem ter objetivo focado e sem intervenção humana podendo durar séculos.

Uma das características do poltergeist seria a repetição periódica dos mesmos fenômenos. Em razão disso , e tendo em vista a sua suposta causa psicogenética, os modernos parapsicólogos passaram a designar os fenômenos de poltergeist pela sigla RSPK, da expressão em inglês: "Recurrent Spontaneous Psychokinesis" (psicocinesia recorrente espontânea). Assim, eliminou-se a conotação metafísica, segundo os parapsicólogos ortodoxos, embutida no vocábulo popular poltergeist.

Não obstante, a palavra poltergeist ainda e muito usada para designar os referidos fenômenos, tal a sua popularização. Mas, para os parapsicólogos considerados ortodoxos, hodiernamente, o termo poltergeist significa RSPK (psicocinesia espontânea) e não a ação Espíritos brincalhões ou seres incorpóreos.

Há casos famosos na parapsicológia, como o da família Lutz que, em 1976, foi atormentada por entidades inferiores durante os 27 dias que viveram em uma casa na pequena cidade de Amityville, nos Estados Unidos, que passaria às telas de cinema com o nome de Horror em Amityville. Um dos integrantes da família, George Lutz afirmou que durante a noite ouvia o ruído de uma banda marcial tocando na sua sala de estar, evento só constatado por ele. Geralmente, o poltergeist deixa de se manifestar em poucas semanas. Diferente das assombrações, que podem ferir seres humanos, o poltergeist tem como objetivo apenas o manifestamento de sua força sobrenatural.


A Psicologia do Poltergeist

por Fátima Regina Machado* &. Wellington Zangari**


RESUMO: O fenômeno poltergeist ou RSPK (psicocinesia recorrente espontânea), como é tecnicamente chamado em Parapsicologia, é ainda um dos mais intrigantes assuntos estudados na área. Esse fenômeno envolve ocorrências físicas tais como chuvas de pedras, movimentação, quebra, aparecimento e desaparecimentos de objetos, pirogenia, aparecimento de água, sons e luzes sem nenhuma explicação "normal" para esses eventos. A Psicologia tem contribuido para o estudo dessas ocorrências propiciando, através de testes psicológicos, traçar um perfil das pessoas que são ou foram agentes desses fenômenos a fim de tentar detectar o que faz com que certas pessoas passem por esse tipo de experiência e outras não. Scott Rogo alerta para a importância do contexto social em que o agente está envolvido, sugerindo a avaliação psicológica de todos os membros da família envolvidos na ocorrência e não só do agente. Ainda não se chegou a um consenso, porém a hipótese de explicação mais aceita é a teoria psicodinâmica, adotada por William Roll e outros. Um fato interessante é que a psicoterapia tem se mostrado eficiente na tentativa de cessar o fenômeno.

Introdução
As raízes da pesquisa psíquica, que mais tarde originou a Parapsicologia, têm suas bases nas ocorrências cotidianas de experiências ou fenômenos que hoje denominamos parapsicológicos. Ainda que J.B.Rhine insistisse em ter a Parapsicologia como um ramo estritamente experimental dentro da pesquisa psíquica (Beloff, 1993), não foi possível desvencilhar a pesquisa experimental da de campo, uma vez que a segunda fornece subsídios e pistas para um bom desenvolvimento da primeira. O isolamento entre ambas resulta em um trabalho estéril ou, no mínimo, pouco produtivo.
Além dessa interdependência entre os tipos de pesquisa, há que se ter em mente a interdisciplinaridade que exige a Parapsicologia. Sendo uma ciência que toca limites de várias outras ciências, é inadimissível que se possa supor que a Parapsicologia se feche em si mesma, sem olhar para os lados e sem que haja imbricação de conhecimentos com outras áreas de pesquisa. Especialmente a Física e a Psicologia estão conectadas aos estudos realizados sobre psi, trazendo conhecimentos que apontam novas hipóteses de explicação dos mecanismos ou de interpretação dos fenômenos ou experiências supostamente parapsicológicas. Neste trabalho, vamos nos ater às contribuições da Parapsicologia para o estudo dos fenômenos poltergeist ou, tecnicamente, RSPK.


RSPK: uma válvula de escape?
Poltergeist é uma palavra de origem alemã que se popularizou na época da Reforma, sendo utilizada por Martinho Lutero para se referir à ação de um "espírito brincalhão". Assim, polter significa "barulhento, brincalhão" e geist, espírito. Na verdade, geist também pode significar "mente de alguém vivo", mas de modo geral, esse significado é ignorado. Em Parapsicologia, o termo técnico utilizado para designar os fenômenos poltergeist é "psicocinesia recorrente espontânea" ou RSPK, do inglês recurrent spontaneous psychokinesis. Este termo era utilizado pela equipe do Laboratório de Psicologia da Duke, chefiada por J.B.Rhine, e foi mais amplamente divulgado por William George Roll, psicólogo especialista nos estudos de casos de RSPK que integrou essa equipe de 1957 até meados da década de 1960. Essa denominação está adequada à hipótese de explicação que pressupõe que o fenômeno ocorra devido à ação mental (psicocinesia), seja ela física ou não (1) - o que ainda não foi demonstrado definitivamente - sobre o ambiente de forma repetitiva ou recorrente e não provocada deliberadamente, ou seja, espontânea. Esses fenômenos podem incluir a movimentação, quebra, aparecimento e desaparecimento de objetos, combustão espontânea, vazamentos de água sem nenhum motivo aparente, sons e luzes "misteriosos". (Machado & Zangari, 1994, 1995; Roll, 1972, 1995; Bender, 1976).
Desde o século XVII encontramos registros de algumas poucas investigações feitas sobre casos poltergeist. Porém, nessa época, a preocupação maior das pessoas era combater a bruxaria e a possessão diabólica, pois as ocorrências RSPK eram atribuídas a efeitos de bruxaria ou encantamento ou à intervenção do demônio ou de espíritos maus em nosso mundo. (Machado, 1995)
Nos séculos XVIII e XIX, com o declínio da bruxaria, o desenvolvimento do mesmerismo e do espiritismo, além de outros fatores, as pesquisas começaram se seguir um padrão mais sistemático e rigoroso. (Alvarado, 1983) Apesar disso, não se poderia omitir que inúmeras fraudes flagradas levantaram a possibilidade de que não fosse provável que esse fenômeno pudesse ser genuíno. Supunha-se que tudo não passaria de fraudes bem montadas, com finalidades diversas. Se esta hipótese era confirmada em muitos casos, em outros não encontrava respaldo algum. (Machado, 1994)
Ainda no século XIX, era comum se pensar que a eletricidade - recém descoberta - fosse a responsável por eventos RSPK. Com a explosão do espiritismo nos Estados Unidos e na Europa, outra explicação encontrada por muitos era de que esses fenômenos se deviam à ação de espíritos desencarnados. Essa contraposição entre uma explicação naturalista e outra sobrenaturalista serviu de incentivo ao desenvolvimento de estudos acerca do tema. (Alvarado, 1983)
Neste ponto, pode-se dizer que Freud prestou grande contribuição à tentativa de explicação da RSPK quando formulou a hipótese da existência do inconsciente e descreveu seu possível mecanismo de funcionamento. Ampliando os limites da mente humana, que teria uma parte secreta a ser desvendada, Freud demonstrou - assim como Jung - que há muitas possibilidades humanas ainda não totalmente conhecidas. Isto se reflete nas hipóteses psicológicas que são levantadas para explicar RSPK, e encontram respaldo nas constatações feitas nas pesquisas, ainda que fraudes tenham sido detectadas.
Há evidências de fenômenos físicos nas ocorrências de RSPK. Isto leva a duas perguntas: "Como os objetos podem se mover sem que nenhum mecanismo conhecido seja utilizado?" e "Por que isto ocorre?" Deixemos neste momento de lado a primeira questão que, a princípio, a Física tenta explicar e passemos à segunda, que envolve, em tese, questões psicológicas. (Temos aqui este tom cuidadoso ao delimitar a atuação da Física e da Psicologia porque, naturalmente, tanto as questões físicas quanto as psicológicas devem estar correlacionadas em relação ao fenômeno e, como ainda carecemos de elucidação sobre muitos aspectos dessas ocorrências, convém não sermos categóricos nas afirmações.)
Vários autores, desde o início do século acenaram para a possibilidade de que questões psicológicas estivessem envolvidas no fenômeno de RSPK, fossem eles genuínos ou fraudulentos, através da realização de pesquisas. (Bender, 1969; Bender, 1976; Carrington, 1922; Hasting, 1964; Hyslop, 1913; Machado & Zangari, 1995; Rogo, 1974; Rogo, 1979; Roll & Pratt, 1958; Roll, 1972; Roll, 1995; e outros) Desde a década de 1930, testes começaram a ser aplicados a agentes RSPK para traçar seu perfil psicológico e para verificar se poderiam controlar as manifestações psicocinéticas de acordo com sua vontade. Os resultados não foram muito significativos nesse período. (Alvarado, 1983) Somente em 1958, no entanto, iniciou-se a aplicação mais sistemática de testes psicológicos aos agentes, com a investigação do poltergeist de Seaford, Long Island, realizada por William Roll e Gaither Pratt. Nessa ocasião, Roll iniciou o uso corrente do termo RSPK.
Os testes comumente utilizados na análise desses casos são testes projetivos (TAT e Rorscharch) e de associação de palavras. Da análise de vários sujeitos que passaram pela experiência de ser um agente RSPK, foram colhidos dados que apontaram para um certo padrão. Essas pessoas apresentavam problemas em expressar emoções, especialmente sentimentos de raiva e agressividade. Além disso, passavam por um momento de intenso stress devido a desajustes psicológicos ou de relacionamento. (Não vamos aqui entrar em questões fisiológicas.) Isto significa, portanto, que o agente vivia um momento de tensão. A questão é: se todos nós temos momentos tensos no nosso dia-a-dia, se estamos sujeitos a desentendimentos familiares ou profissionais, por que apenas algumas pessoas fazem com que isto influencie fisicamente o ambiente e outras não?
Críticas são feitas quanto à aplicação dos testes projetivos porque a análise das resposta é muito subjetiva e pode ser influenciada pelo pesquisador que, ao analisar os dados, faz ser comprovada a hipótese psicodinâmica por ele já conhecida. Em geral, o psicólogo que faz a avaliação dos resultados conhece o caso que está sendo investigado. Mais um senão levantado pela crítica: talvez a condição de stress ou os desajustes psicológicos detectados sejam resultado de profecias auto-cumpridoras. (Alvarado, 1993) Não é por isso, no entanto, que se deve descartar a utilização de testes psicológicos para estudar o agente. Propõe-se a utilização de testes mais objetivos, como o MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventory). Alfonso Martinez Taboas, psicólogo porto-riquenho e pesquisador em Parapsicologia, afirma que, em alguns casos, tendo sido aplicado o MMPI, nenhum tipo de psicopatologia foi encontrado. (Taboas, 1984) As questões psicológicas talvez apontem para um caminho de explicação, mas ainda não constituem respostas definitivas.
De qualquer forma, um aspecto interessante da RSPK, como observa William Roll (1972, 1995) é que os objetos atingidos pelo fenômeno têm uma relação simbólica estritamente ligada à significação dada às ocorrências pelo agente, ainda que, à princípio, ele não se dê conta disso. Para demonstrar essa relação simbólica, Roll (1995) apresenta o caso da menina Tina Resch que, aos catorze anos de idade, foi o centro das manifestações de RSPK que tiveram lugar em sua casa em Columbus, Ohio, em 1984. Roll conta que vários eventos RSPK começaram a ocorrer em um período em que Tina estava muito revoltada com seus pais e passara por várias situações desagradáveis: sua melhor amiga falecera há pouco e Tina rompera com seu primeiro namorado Ela era filha adotiva e tinha ciúme das crianças que seus pais cuidavam como filhos de criação. Todos os fenômenos que ocorreram naquela casa se relacionavam com objetos ou locais ligados aos pais ou às crianças. Quando Tina se apercebeu de que ela era o centro das ocorrências, começou a ser atingida pelos objetos que se movimentavam. Isto ocorreu após a visita de um pastor que deveria fazer orações para livrar a casa de espíritos ruins. Vendo-se como uma pessoa má, Tina teria iniciado um tipo de auto-punição, ainda que inconscientemente. (Roll, 1995)
Os testes psicológicos realizados com Tina confirmavam o que testes com outros agentes já haviam demonstrado: agressividade mal-direcionada e dificuldade de integração no ambiente familiar. Apesar destes resultados apontarem para a confirmação de sua explicação favorita, Roll não deixa de se questionar acerca da interpretação psicológica e das falhas que poderiam estar ocorrendo quanto à avaliação do caso. O fato é que há muitas dificuldades de investigação dos casos RSPK devido à escassez de ocorrências que chegam ao conhecimento de pesquisadores seriamente interessados em conduzir um trabalho sério acerca desse fenômeno. Como o próprio Roll diz, falta ainda uma peça importante a respeito do que faz com que determinadas pessoas sob tensão manifestem RSPK e outras não. E ele aposta que isto esteja diretamente relacionado ao modo de interação agente-meio ambiente.
Scott Rogo, na década de 1970, propôs que a responsabilidade sobre a ocorrência do fenômeno não deveria recair sobre uma pessoa apenas. (Rogo, 1979) É certo que alguém, de alguma forma, está sempre mais diretamente ligado à RSPK, mas se a ocorrência do fenômeno é conseqüência de stress e problemas de relacionamento, então todo o grupo ou a família que convive com o agente deve também se submeter à investigação.
Em um trabalho apresentado na 22ª Convenção Anual da Parapsychological Association, em 1979, Rogo fundamenta suas idéias acerca da dinâmica familiar descrevendo a investigação de um caso ocorrido em Los Angeles entre 1978/79. A todos os membros da família em questão - pai, mãe e filhos - foram aplicados o Rosenzweig Picture-Frustration Test (2) e o Rotter’s Incomplete Sentence Blanck. A avaliação dos testes foi feita por Gertrude Schmeidler, que sabia se tratar de um caso de RSPK, mas não tinha conhecimento de quem respondera cada teste em particular. Os resultados demonstraram que todos os membros daquela família tinham padrões semelhantes quanto à agressividade e dificuldade de relacionamento. Claro que isto não anula a hipótese de que haja um agente central, mas aponta para um caminho que deve ser melhor explorado: "... a personsalidade de vários membros de uma família pode desempenhar um papel crucial na ontogênese da erupção de um poltergeist, assim como a personalidade de um suposto agente." (Rogo, 1979)
Em que pesem todas as dúvidas que ainda pairam sobre os aspectos psicológicos do poltergeist, convém lembrar que, se ainda não conseguimos chegar a uma conclusão definitiva sobre como e porque eles acontecem, temos evidências de como fazê-lo parar de ocorrer. A psicoterapia tem se mostrado muito eficaz na cessação do fenômeno. Aparentemente, se o agente resolve problemas internos e toma consciência de emoções contidas, retraídas, abafadas, as ocorrências tendem a diminuir até cessarem por completo. (Bender,1969, 1976; Roll, 1972) Este foi o caso de Annemarie, considerada o agente do Caso Rosenheim, apresentado pela primeira vez ao público em 1969 por Hans Bender. Ela vivia sob forte tensão no local de trabalho, pois não gostava dali. Estranhos acontecimentos se deram no escritório de advocacia onde ela era secretária: movimentação de objetos, comprometimentos inexplicáveis das instalações elétricas e problemas com o telefone. Através de investigações, Bender detectou que Annemarie seria a "responsável" por aquelas ocorrências. Ela se surpreendeu ao saber disso. Ao tomar consciência desse fato, mudou-se de emprego e os fenômenos escassearam até cessar por completo. (Bender, 1976)
Outro exemplo é o caso estudado por Wellington Zangari, ocorrido na periferia de São Paulo em 1987. "...Objetos sumiam para aparecer posteriormente do lado de fora da casa, vultos escuros eram vistos, brisas geladas eram percebidas em determinados pontos da residência e colchões, móveis e roupas eram queimados sem que ninguém tivesse colocado fogo neles. Tudo acontecia às vistas dos moradores da casa (pai, mãe e três filhos) sem que ninguém fizesse o menor movimento. A família, que era espírita, acreditava que tudo fosse causado pela ação de espíritos desencarnados, que agiam por intermédio do filho mais velho, então com 12 anos de idade. Apesar da explicação religiosa encontrada pela família, aceitaram que um pesquisador acompanhasse o caso." (3)
Algumas ocorrências foram diretamente observadas pelo pesquisador Wellington Zangari. Nenhuma fraude foi detectada, o que não significa que todos os eventos fossem genuínos. "Os fenômenos pareciam estar realmente relacionados ao filho de 12 anos. O garoto dizia ser capaz de se comunicar com os vultos que, segundo ele, faziam exigências absurdas: mudar de casa, trocar de carro, deixar o garoto ficar em casa em vez de ir à escola... As exigências eram atendidas, pois a família temia a represália dos espíritos.
O pesquisador verificou que os fenômenos eram utilizados inconscientemente pelo menino, como forma de livra-se de obrigações e também para satisfazer seus desejos e dominar a família. Sendo também psicólogo, o pesquisador iniciou uma terapia familiar com a finalidade de discutir e redefinir os papéis familiares. À medida que o relacionamento familiar foi recuperando o equilíbrio, os fenômenos foram escasseando até que cessaram por completo." (4)













Conclusão
Se ainda há muito o que descobrir sobre RSPK, boas pistas sobre esse fenômeno já aparecem através das especulações em torno de seus aspectos psicológicos. Somente através do investimento em mais pesquisas nessa área, não apenas a nível de casos espontâneos, mas também laboratoriais, é que poderemos lançar mais luzes a respeitos desses eventos intrigantes.
As dificuldades de investigação desse fenômeno se constituem em um obstáculo para que se descubra mais a respeito dos mecanismos envolvidos nas ocorrências, sejam eles físico, psicológicos, ou, psicofísicos. Mas ao invés de deixarmos o estudo desses casos de lado temendo suas dificuldades, devemos investir nosso tempo e esforços para investigá-los da melhor maneira possível, estando abertos às críticas quanto à metodologia e tendo bom senso para aprimorar os métodos de investigação. Assim, mais condições teremos de elaborar experimentos que explorem a psicocinesia de forma mais eficaz. Como diz William Roll: "... as investigações de campo têm uma função valorosa em Parapsicologia - não como um modo de encontrar uma prova científica do fenômeno psíquico, mas como um modo de se ter ‘insights’ sobre sua natureza, que podem, então ser testadas sob condições controladas." (Roll, 1972, p. xvii) "Um poltergeist ativo oferece uma excelente possibilidade para a pesquisa..." (Roll, 1977)

Notas
(1) A fisicalidade ou não da PK é matéria de discussão entre os parapsicólogos. O Dr. Rhine estava convencido da não-fisicalidade de PK, embora outros parapsicólogos divergissem dessa proposição. Chales Honorton, por exemplo, sustentou que era muito prematuro assumir a idéia da não-fisicalidade de PK. (Palmer, 1993)
(2) O Rosenzweig Picture-Frustration Test é uma variação do teste HTP (House-Tree-Person).
(3) Dos arquivos do INTER PSI, publicado na Revista Brasileira de Parapsicologia, nº 4, p. 11 e em MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando sobre Casas Mal-Assombradas: O Fenômeno Poltergeist. São Paulo: Paulinas, 1995, p. 42.
(4) Idem, RBP p.11 e MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando... p. 43.

Referências Bibliográficas
ALVARADO, C.S. Avaliações psicológicas de sujeitos poltergeist. Revista Brasileira de
Parapsicologia nº 2, pp. 32-36, São Paulo, SP, 1993.
____________. Poltergeist research and conceptualization in the United States: A review of old and recent developments. Psychical Research Foundation, Ed. Theta 1, nº 1, pp. 9-16, Spring, 1983.
BAYLESS, R. The enigma of the poltergeist. Park Publishing Company, Inc. West Nyack, New York, 1967.
BENDER, H. New Developments in Poltergeist Research. Proceedings of the PA, 1969, 6, 81-102.
__________. A pesquisa moderna do "poltergeist"- A necessidade de uma abordagem sem preconceito. In Parapsicologia Hoje - Organizador: John Beloff. Editora Arte Nova, Rio de Janeiro, 1976.
CARRINGTON, H. Physical and psychophysiological researches in mediumship. In C. Vett (Ed.), Le Compte Rendu Officiel du Premier Congres International des Recherches Psychiques a Copenhague, Copenhagen, 1922.
DUNCAN, L. & ROLL, W. Psychic Connections: A Journey into the Mysterious World of Psi. New York: Delacorte Press, 1995.
FLAMMARION, C. As casas mal-assombradas. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1980 (Publicado originalmente em francês em 1968)
FODOR, N. On the Trail of the Poltergeist. New York: Citadel Press, 1958.
GAULD, A. & CORNELL, A.D. Poltergeist. London: Routledge & Keagan Paul, 1979.
HYSLOP, J.H. Poltergeist Phenomena and Dissociation. JASPR, 1913, 7, 1-56.
MACHADO, F.R. Um fantasma em minha casa? Uma Introdução aos fenômenos de poltergeist ou RSPK. Revista Brasileira de Parapsicologia, São Paulo, Brasil, 1994, nº 4.
MACHADO, F.R. & ZANGARI, W. Conversando sobre casas mal-assombradas: O fenômeno poltergeist. Paulinas: São Paulo, 1995.
PALMER, J. The Psi Controversy. JP, Vol. 57/nº2, june 1993, p. 185. 1993.
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The Poltergeist and Family Dynamics: A Report on a Recent Investigation. In W.G.Roll (Ed.), RIP, 1979. Metuchen, NJ: Scarecrow Press, 1980.
ROLL, Willian G. The poltergeist. New York: Nelson Doubleday, Inc., 1972.
 Towards a theory for the poltergeist. European Journal of Parapsychology, 1978, 2, 167-200.
Poltergeists. In Handbook of Parapsychology. McFarland and Company, Inc. Publishers, North Carolina and London, 1977.

*Fátima Regina Machado
Diretora-Executiva do Centro de Estudos Peirceanos,
Membro do Inter Psi
Grupo de Estudos de Semiótica, terconectividade e Consciência, do CEPE, COS, PUC-SP. 


**Wellington ZangariDiretor
Inter Psi
Grupo de Semiótica, Interconectividade e Consciência,
Centro de Estudos Peirceanos,
Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica,
PUC-SP

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A História : Poltergeist, O Fenômeno

"Eles estão Aqui!"

Poltergeist (Poltergeist - O Fenômeno, assim no Brasil) é um filme de terror produzido nos Estados Unidos e lançado em 1982. É um dos filmes mais aterrorizantes da década de 80.
Escrito (história) e produzido por Steven Spielberg e dirigido por Tobe Hooper. Reza a lenda que a direção geral mesmo foi de Steven Spielberg, que no mesmo ano dirigiu também E.T. - O extraterrestre, o qual estava preso por contrato com o filme "E.T.", não poderia ter seu nome atrelado à direção de outro filme e por isso teria usado o nome de Tobe Hooper (Massacre da serra elétrica). Mas nota-se o toque dos dois no filme. Apesar dos créditos do filme indicarem que Tobe Hooper é o diretor de Poltergeist, na verdade ele ficou apenas encarregado com o trabalho mecânico de rodar as cenas. A grande maioria das decisões criativas do filme foram de Steven Spielberg.
O Roteiro é de Mark Victor, Matthew F. Leonetti, Michael Grais e Steven Spielberg. 


Poltergeist - O Fenômeno é bastante parecido com um episódio da série de TV americana "Twilight Zone" chamado "Little Girl Lost", que teria inspirado o filme, mas a produtora nunca confirmou a veracidade desse fato. 
Os efeitos especiais ficaram a cargo da Industrial Light & Magic, os quais foram realizados com o que havia de mais moderno na época e impressionam até hoje. Fundada por George Lucas em 1975. A Industrial Light & Magic é uma sub-divisão da empresa e produtora de filmes Lucasfilm, criada em 1971. A sede está localizada no Letterman Digital Arts Center, em São Francisco.
A trilha sonora foi composta por Jerry Goldsmith que é considerado um dos mais influentes compositores do século XX, tendo trabalhado em diferentes gêneros, principalmente ficção científica,  terror e fantasia. É mundialmente famoso, principalmente, por seus trabalhos em cinco filmes série Jornada nas Estrelas.
Goldsmith recebeu em sua carreira 17 indicações ao Oscar, tendo vencido apenas em uma ocasião pelo seu trabalho no filme The Omen, em 1976.
Tanto o filme como o livro começa apresentando uma típica família feliz do subúrbio americano da década de 80. 

Num cenário bem comum nos filmes de Spielberg. A feliz família Freeling. O casal Steve um homem robusto de 37 anos  e Diane uma franzina, delicada e dedicada dona de casa de 32 com os seus três filhos, Dana a mais velha com 15 anos, Robbie é o do meio com oito anos e a caçula Carol Anne com 5.




Depois de alguns anos vivendo na casa em um condomínio residencial construído pela empresa que Steven trabalha, algumas coisas estranhas começam a acontecer dentro de casa dos Freeling, como  objetos que se movem, luzes em flashes, cadeiras que vão de um local a outro da casa, Carol Anne começa a sofrer crises de sonambulismo e a  assim passa a se comunicar com vozes vindas de um canal sem sinal na TV, vozes que só ela escuta. Diane acha tudo estranho e até fica excitada com os fatos por algum tempo.


Mas isso é apenas o início. Carol Ane faz contato com os seres fantasmagóricos. As manifestações começam a ficar mais violentas, e numa certa noite de tempestade, os fenômenos pioram. A árvore, um velho carvalho que fica próximo a casa, invade o quarto das crianças e tenta engolir o menino, Robbie. 


Durante a tormenta, Carol Anne é raptada por forças sobrenaturais e sugada para algum outro plano da existência. Sua família, desesperada, vai em busca de ajuda. 

Com o auxílio de um grupo de parapsicólogos, eles terão que enfrentar não apenas os espíritos desencarnados, mas a força do mal para que possam trazer sua filhinha de volta.

 


A história é fantástica! A perfeita direção e interpretação dos atores, em especial a maravilhosa Jobeth Williams, nos faz ficar mais de uma hora acompanhando essa família até que essa loucura toda termine e por fim acabamos realmente nos importando com eles, e torcemos para que tudo dê certo e eles consigam encontrar a angelical Carol Anne.


Na época de seu lançamento, o filme contava com o que havia de mais moderno em efeitos especiais, o que impressionou muito a plateia. Hoje, os efeitos estão um pouco ultrapassados, mas o filme não é feito apenas disso. É também um suspense com humor negro e calor humano que prende a nossa atenção do início ao fim.
Poltergeist ainda impressiona e é capaz de dar bons sustos. Apesar dos efeitos visuais terem envelhecido um pouco, as interpretações impecáveis do seu maravilhoso elenco, valem por qualquer truque e efeito do filme, o que não é muito comum em filmes de horror. Todos os atores, dos mais jovens aos mais veteranos, formam um elenco espetacular que não deixam brechas em suas atuações.

Como já havia falado antes, a atuação de Jobeth Williams, como Diane, passa exatamente a sensibilidade da personagem que está no roteiro e no livro. Que apesar de ser fisicamente uma mulher frágil e delicada, ela consegue encontrar forças e lutar com o sobrenatural (sozinha), para salvar seus filhos da besta.  A cena em que Carol Anne em forma de spectro passa por dentro da alma da mãe, é fantasticamente encantador. Diane consegue sentir o seu cheiro, o seu toque. É muito sensível.
A filha mais velha Dana (Dominique Dunne), que passa maior parte do tempo longe da casa, por medo, o pai Steve, com aquele jeito meio brutamontes, que muitas vezes fica no meio termo se o que está acontecendo é real ou loucura.


A veterana Beatrice Straight, que apesar de ser uma cientista, é quem melhor consegue explicar principalmente para o menino Robbie, o que aconteceu com sua irmã, e o que está acontecendo na casa, um dos melhores diálogos do filme.



Já a fantástica clarividente Tangina Barons, que parece saída de um circo, é quem ajuda a a família a resgatar a sua filhinha sem perder o bom humor e afeto que um tem pelo outro.
Sempre que assisto, me emociono com a cena que a mãe é amarrada a uma corda para resgatar a filha do outro lado, e a mesma beija o marido, dizendo que o ama e que ele não desista de ir atrás delas. 



É imposível não falar de Poltergeist sem mencionar a brilhante Heather O’Rourke. Que faz um belo trabalho nesse filme, o que lhe rendeu o seu reconhecimento definitivo com o público. Como esquecer da graciosa, doce e sensível Carol Anne. Sua aparência física, com seus grandes olhos azuis, longos cabelos lisos e loiros é outro fator marcante no filme. Quando falamos do filme por aí, todo mundo pergunta: "Ah, é aquele da menina loirinha que fala com o aparelho de televisão?"  

Elenco
  • Craig T. Nelson ... Steve Freeling
  • JoBeth Williams ... Diane Freeling
  • Beatrice Straight ... Dr. Lesh
  • Dominique Dunne ... Dana Freeling
  • Oliver Robins... Robbie Freeling
  • Heather O'Rourke ... Carol Anne Freeling
  • Michael McManus ... Ben Tuthill
  • Virginia Kiser ... Mrs. Tuthill
  • Martin Casella ... Marty
  • Richard Lawson ... Ryan
  • Zelda Rubinstein ... Tangina Barrons
  • Lou Perryman ... Pugsley
  • Clair E. Leucart ... Bulldozer Driver
  • James Karen ... Frank Teague
  • Dirk Blocker ... Jeff Shaw
  • William Hope ... namorado de Dana no carro (cameo) (não-creditado)

Prêmios

Recebeu 3 indicações ao Oscar: Melhores Efeitos Sonoros, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Trilha Sonora.

Fatos e curiosidades sobre a produção do filme
  • Foi lançado  em 4 de Junho de 1982 e arrecadou somente nos E.U.A. cerca de 76 Milhões de dólares, um sucesso, pois custou cerca de 20 milhões.
  • A fala do filme, "They're here!" foi eleita como a #69 de uma lista de 100 das melhores falas da história do cinema.
  • Um fato interessante é que é que Poltergeist perdeu o Oscar de efeitos para o próprio Spielberg pelo filme E.T. - O Extraterrestre.
  • O filme que aparece na TV em uma cena logo no início de Poltergeist, Dois no Céu (1943), mais tarde refilmado pelo próprio Spielberg como Além da Eternidade (1989).
  • Um aviso no Holliday Inn diz "Welcome Dr. Fantasy and friends". Dr. Fantasy era o apelido de Frank Marshall, um dos produtores do filme.
  • Dominique Dunne, que interpretou a jovem adolescente Dana Freeling em Poltergeist, morreu no mesmo ano do lançamento do filme, estrangulada pelo seu namorado.
  • Poltergeist - O Fenômeno gerou ainda duas sequências, chamadas Poltergeist II - O Outro Lado (1986) e Poltergeist III - O Capítulo Final (1988).
  • A mão que vai arrancando a carne do rosto do investigador no banheiro é de Steven Spielberg.
  • O jeito esquisito como os membros da família descem a escada no início do filme foi filmada com os atores subindo as escadas de costas e rodando o filme em reverso. O mesmo efeito foi usado mais tarde na cena da gravação dos fenômenos fantasmagóricos.
  • Para dar aos fantasmas uma movimentação mais etérea quando eles aparecem descendo as escadas, o diretor fez com que os atores subissem as escadas de costas e depois revertendo o filme na edição final.
  • A cena em que a casa é engolida, o que vemos na verdade é uma maquete de cerca de dois metros, e embaixo dela foi posto um aspirador de pó que foi sugando a maquete até a mesma estar dentro do saco por completo.
  • Steven Spielberg trabalhou na produção deste filme e na produção de E.T., O Extra-Terrestre simultaneamente do começo ao fim.
  • Jerry GoldSmith compôs a trilha sonora para os dois filmes.
  • Heather O'Rourke, a Carol Anne do filme, e Dominique Dunne, que interpretava sua irmã mais velha, Dana, foram enterradas no mesmo cemitério: Westwood Memorial Park, em Los Angeles. Dunne foi estrangulada até a morte cerebral pelo seu namorado em 1982, o ano de lançamento do filme.
  • Durante a cena em que Robin (Oliver Robins), o irmão de Carol Anne, está sendo enforcado pelo palhaço, os braços do boneco em torno do seu pescoço estão muito apertados e Oliver começa a sufocar e grita 'eu não posso respirar !'. Spielberg, achando que ele estava improvisando, apenas o instruiu para olhar para a câmera, até que nota que o rosto do garoto estava ficando roxo. Neste momento ele correu para soltar os braços do palhaço do pescoço de Robin.
  • Drew Barrymore foi escalada para o papel de Carol-Anne, mas Spielberg queria alguém mais jovem e angelical, substituindo-a por Heather O'Rourke. Barrymore não saiu perdendo, pois ela conseguiu o papel em E.T., O Extra-Terrestre.
  •  O efeito de som usado para dar voz a besta foi retirado do próprio rugido feito pelo leão da MGM.
  • Quando os escritores Michael Grais e Mark Victor se encontraram com Spielberg pela primeira vez, eles tinha sido contratados para roteirizar o filme que por fim seria Além da Eternidade. Quando Spielberg mencionou que também tinha uma ideia para um filme sobre fantasmas, Grais e Victor disseram que preferiam escrever uma estoria sobre fantasmas do que Além da Eternidade e foi assim que conseguiram o trabalho.
  • Os esqueletos que emergem da piscina enquanto Dianne procura por ajuda são de verdade. A atriz JoBeth Williams não sabia disso até depois que a cena fosse filmada.
  • A cena da carne que começa a se movimentar como uma lagarta, é um pedaço de bife de verdade que anda graças a fios de arame amarrados a ela por baixo de uma abertura no balcão que ela estava.
  • Spielberg produziu a maioria das cenas desse filme. Ele se referiu em entrevista que "Se E.T. era um suspiro, Poltergeist era um grito".
  • Foi oferecido um papel a Shirley MacLaine, mas ela desistiu devido ao seu papel em "Laços de Ternura".
  • A cena das cadeiras que se posicionam de forma espetacular sobre a mesa em apenas alguns segundos enquanto Dianne abaixa-se para pegar alguns produtos de limpeza foi filmada em apenas uma tomada. No momento em que a câmera se afasta focalizando a ação de Dianne, vários membros da equipe põe em cima da mesa a estrutura já montada das cadeiras e retiram as cadeiras que a contornavam. 
                                   
  • JoBeth Williams estava hesitante nas filmagens da cena da piscina devido a grande quantidade de equipamentos que se espalhavam sobre e em volta da piscina. Para confortá-la e dar mais segurança, Spielberg entrou junto com ela na piscina e disse "Se algo der errados nós dois iremos fritar". A estratégia funcionou.
  • Na verdade Craig T. Nelson e JoBeth Williams são apenas 14 e 11 anos mais velhos que Dominque Dunne que faz o papel de sua filha adolescente na época.
  • A cena em que Diane abre a porta do quarto das crianças e se depara com um grito assustador foi a primeira a ser rodada.
  • A cena em que Marty tem alucinações quando está olhando para espelho foi a última cena a ser rodada.
  • Ambos os medos que aterrorizam Robbie no filme, vem dos medos reais de Spielberg quando era criança. O do palhaço de brinquedo e o da árvore que é vista no lado de fora da janela.
  • Spielberg e Hooper quiseram por no elenco da família Freelings atores pouco conhecidos, pois estrelas conhecidas tirariam um pouco do realismo e do foco centrado na estoria. Deu certo!!!
  • As luzes que aparecem saindo do armário do quarto das crianças foram feitas numa montagem em que a luz era refletida através de um aquário cheio e com um ventilador na frente para dar o efeito de espiral.
  • Para homenagear George Lucas, Steven Spielberg decorou o quarto com pôsteres e bonecos do Star Wars.
  • A casa utilizada para essas filmagens está localizada em Simi Valley na Califórnia e ainda existe. A família que morava na casa na época das gravações ainda residem lá.
  • Além das duas aparições que a besta tem durante o filme, no script original ela apareceria mais uma vez quando estão escutando a fita com a gravação dos espíritos.
  • O fantasma gigante que aparece com cara de um velho e que repentinamente faz uma cara assombrosa, é o homem que iremos conhecer nos próximos filmes como Henry Kane.
  • Durante todos as cenas de horror que ocorreram no filme, apenas uma realmente assustou Heather O'Rourke, a cena em que um ventilador vai lançando os brinquedos dentro do armário e ela tem que se segurar para não ser levada. Ele caiu em desespero, fazendo com que Steven Spielberg parasse o filme, tomando-a em seus braços e prometendo que não teriam que repetir aquela cena novamente.
  • JoBeth Williams afirmava que quando voltava para casa depois das filmagens, encontrava os seus quadros todos tortos na parede. Ela os endireitava, mas, ao retornar no dia seguinte após as filmagens, estavam todos tortos novamente.